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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Na fábula da Raposa e as uvas percebemos algo corriqueiro e, até, inerente em alguns. A negação do próprio fracasso através do desdém exacerbado e repentino pelo que antes era o objeto de desejo inestimável.
Eu aprendi desde muito criança a aprender com o erro alheio. Portanto, ler e entender essa fábula me fez criar uma perspectiva diferente diante do meu maior sonho.
Sob a videira eu apreciava o meu sonho, como a raposa faminta salivava pelas uvas. Mas diferente dela, como quem usa a tecnologia e a capacidade humana superior aos quadrúpedes, eu me manifestei das mais diversas maneiras para alcançar o sonho que se encontrava como o cacho de uva mais alto. Enquanto meu cajado subia até o cacho mais volumoso que era o meu desejo, vários outros cachos a minha volta poderiam ser pegos, talvez, até com as mãos. Mas decidi por aquelas, lá no alto. Eu não declararia que as uvas estavam verdes e viraria as costas, tal como a raposa.
O cajado bruto, sem opositores partiu o talo, rasgou a conexão da planta e o fruto, o cacho mais lindo caiu em minha direção, por medo de perdê-lo, engoli ferozmente tudo que pude, alguns estouraram o sumo pelo chão.
Deitei-me a contemplar o sol que cortava os espaços entre as folhas, enfarado pela voracidade: adormeci. Ao acordar, como quem não percebeu o tempo passar, as outras uvas, as que minhas mãos alcançavam, foram colhidas por alguém, algumas de podre ganharam o chão.