Atenção

Os conteúdos textuais desse blog são protegidos pela lei Nº9610, de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Armani, agora, é o novo preto.

Cap. 01: Obrigado pelo Futuro.


As coisas começam sempre com apresentações, sempre começam demonstrando cabimentos. Mas, eu não vejo cabimento nesta história que contarei. Afinal, eu mesmo não consigo acreditar. Vivo me perguntando - a cada vez que me ocorre os fatos que serão descritos - se tudo é realmente verdade ou se eu sou um esquizofrênico, o qual se apegou à sinopse de "O Teorema de Katerine" do John Green. Além de tudo, não dá pra confiar numa história que começa em frente a uma bola de cristal, com cartas de tarot e uma moça excêntrica dizendo:
- Sim! Será pobre. Mas, pense pelo lado bom. Terá o que comer, poderá pagar passagem de ônibus, se divertir na balada e sempre estará a apenas duas atualizações de aparelhos iPhone atrasado. - Numa pausa, com certa pigarreada, a observei ajeitando os cílios postiços, até que prosseguiu - Ou seja, você não será miserável!
- Mas, eu perceberei e sofrerei por essa pobreza? - eu perguntei, ainda perplexo.
- Claro que não, meu jovem. Você encontrará o homem da sua vida, e vejo que o nome dele será: Armani.

Esse diálogo é o suficiente para introduzir toda essa história. Antes, preciso resumir minha vida: Nasci numa família de classe média, eu me formei em História e trabalho como auxiliar administrativo de uma empresa da indústria da moda, mas de médio porte, basicamente passo o dia envelopando e postando correspondências. Não sou lindo, não sou forte, nem estiloso e tenho uma pinta peluda nas costas, num lugar que não alcanço, ou seja, não dá para depilar. Assim, percebe-se que eu já não tinha a vida fácil até ir a essa cartomante. Gastei com essa cartomante o equivalente à cinco cervejas, uma entrada na boate e seis horas no motel, pra ela simplesmente mudar a minha vida... pra pior! A principal parte, além de ser a parte que mais me traz mágoas, é que até eu ir a essa cartomante, eu não pensava em um grande amor, ainda pensava que escrevendo pra um blog de moda na internet, talvez eu ficasse famoso e milionário e parasse de envelopar correspondências. Mas, a partir desse dia, o nome Armani ecoou na minha mente e me transformou... num pobre pessimista, acima de tudo!

A empresa tinha chegado ao funcionário 434, além da empresa, também, ter batido o lucro dos meses anteriores, assim, a chefia decidiu fazer uma festa em comemoração. Já estava pensando que teria de tirar uma grana do meu suado salário pra festa avarenta, que eles chamavam de americana, em que cada um levava uma coisa. Mas, me enganei, dessa vez seria tudo pago. Inclusive, teria bebida alcoólica, só não poderíamos levar acompanhante. Logo, eu não poderia levar Felipa, nem o Fael, que dividem quarto comigo. Teria de fingir que gosto do Wanderson, que é o único com quem consigo conversar durante o dia todo. Os outros funcionários mal vejo. Eles costumam me chamar de Hélio, tenho preguiça de corrigir, isso poderia criar mais intimidade.

Wanderson 'namora' um dos chefes de repartição, quando cheguei a festa, os vi juntos no canto da pista, as luzes brilhavam, existia um cheiro bom no ar, garotas que sempre estavam descabeladas carregando pastas e papeis, naquele momento ostentavam brilho em vestidos ousados. Um garçom passou com bebidas, peguei dois copos e virei um pra suportar uma companhia que não me satisfaria tanto, depois, fiz a fina bebendo pequenos goles no segundo copo. Me aproximei do ~casal~ e puxei papo: - A festa está linda, né? - O que era uma mentira, estava uma porcaria, vazia e a cerveja estava quente.
- Está sim! - Mentiu Wanderson, também. E após essas mentiras trocadas, Wanderson e seu ~namorado~ começaram a conversar ao pé do ouvido, eu não conseguia ouvir nada, estava tocando alguma música de sertanejo universitária, talvez, fosse um pop nacional, não conhecia, mas o que importava é que a música estava alta. Assim, fui ficando alto como a música e minha vista turva. As luzes começaram a me alucinar. Ao ponto de em meio a “multidão” que “dançava”, eu conseguir enxergar um cara bonito, mas eu jamais vira alguém bonito naquela empresa! Quem poderia ser? O dono que nunca aparecera? - Isso mesmo, eu já cheguei a pensar que eu era o dono da empresa, mas sofria de dupla personalidade e fingia ser apenas o cara dos envelopes. Isso me confortava às segundas depois do almoço!

O cara bonito estava me olhando. Não acreditei, o cara bonito estava vindo em minha direção – eu definitivamente devia ser esquizofrênico – O cara bonito estendeu a mão para mim e perguntou o meu nome ao pé do meu ouvido, após me apertar a mão solenemente. O que eu poderia dizer pra ele? O meu nome?

- Pode me chamar de Kenye West! - Acredite, isso é melhor que meu nome de verdade. Ele riu, pelo menos.
- Você parece divertido. - Pausou e coçou o nariz com charme, ou eu estava bêbado de mais. - Eu sou o funcionário 434!
- Que nome engraçado que você tem! Parece nome de robô – Eu esqueci de mencionar que além de não ser lindo, sou esquisito! Mas, vale mencionar, que sair sem a Felipa e o Fael é bem mais lucro, ninguém acha que sou hetero com a Felipa e nem que sou namorado do Fael.
- Você é realmente divertido, senhor West! - Respondeu o 434 forçando um sorriso de salão.
- Eu não sou divertido, só estou tentando abafar meu nome verdadeiro – Nesse momento nosso papo foi interrompido por alguém que o cutucou. Ele se virou e pediu pra que a pessoa esperasse. Olhou pra mim e pediu que eu pegasse o celular. Pegou o aparelho da minha mão e digitou algo, me entregou dizendo:

- Kenye West, anotei meu número aí, tenho que ir, me chama depois no whatsapp, meu nome é Armani, anota aí! - Óbvio demais, você deve estar pensando. Mas, o nome Armani na minha vida, passou a ser como a cor preta na ~vida~ da Moda...