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terça-feira, 30 de junho de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Cap.01: Obrigado pelo futuro
Cap. 02: Obrigado pela Multiplicação.

Eu abri os olhos e levantei num surto só. Qualquer pessoa que visse essa cena, de longe, iria pensar que eu estava fazendo uma imitação dos clássicos do Drácula. No entanto, só estava de cara mesmo, sem dor de cabeça, sem ressaca e sem aquela vontade de nunca mais levantar, porque a bebida alcoólica daquela festa da empresa só serviu de muleta social, ou seja, só segurava o copo pra não ficar mexendo as mãos sem motivo, pois a bebida estava quente.

- Bom dia, miga! - Disse Felipa com um sorriso sarcástico de quem quer te contar um bafão.
- Que é? - Respondi enquanto tirava a remela do olho e já levantava em busca de um café.
- Sabe o Fael? O primo dele vai ficar aqui em casa por uma semana, até conseguir uma casa, ele conseguiu um emprego aqui na cidade... - Ela pausou com aquele olhar de canto superior do olho, esboçou um sorriso sacana, olhou pra trás conferindo se alguém chegaria de repente e prosseguiu – MIGA, ELE É LINDO E GAY! Ou seja, o universo conspira a seu favor...

Eu, que nunca fui uma pessoa desesperada pra encontrar um grande amor, mas que desde a cartomante só penso nisso, olhei com o olhar mais blasé que o da Lady Gaga em Poker Face, e disse que já estava muito bem encaminhado. LOUCA eu, né? Pois, nem chamar eu tinha chamado o Armani (434), o novo funcionário da empresa, pra conversar no Whatsapp. Assim, não consigo estabelecer em minha mente o que de fato era estar muito bem encaminhado, sequer eu tinha noção, na minha vida inteira, do que significava estar encaminhado. Com toda essa informação seria previsível e redundante dizer que Felipa riu, mas riu muito, aliás, ela gargalhou, chorou de tanto rir, limpou os olhos com as mãos e depois chorou de rir de novo. E enquanto isso, eu a ignorava dando atenção ao Whatsapp, em que tinha um longo diálogo, iniciado durante sua crise, assim:

- Oi, Armani!
- Oi, West. Me diga aê seu nome pra eu anotar aqui.

Obviamente que a mensagem foi visualizada e eu fui absorvido por uma dimensão superior, aquela dimensão em que uma voz divinal fica discutindo consigo o que fazer. Afinal, eu não queria dizer meu nome a ele. Por motivos de: Era meu nome. Então, voltei a olhar para Felipa, que ainda estava engasgada com a última crise de riso. Analisei aquele cabelo preto com corte chanel, os brincos longos e o sueter de tricô, nas unhas com tema Hora de Aventura e nos lábios o batom vermelho. Então, pensei, garota cult dos infernos, invés de ser a MIGA de todas as horas está, aí, rindo da desgraça que é a minha vida. Em seguida, como era a única alternativa, eu disse:

- O boy é perfeito, mas quer saber meu nome. Que eu faço, Filipa? - Ela arregalou os olhos para o meu lado, me olhou fixamente e teve outra crise de riso. Eu mostrei o dedo feio pra ela. Quando na verdade senti falta de um cabelo longo pra bater na cara dela, quando fiz a minha saída triunfal.

Desci do metrô com meus fones de ouvido estourando os tímpanos ao som de Tove Lo. Eu estava bem arrumado com as roupas da grife para a qual eu trabalho. Um boot com leve salto que fazia eu me sentir a Queen B. andando no show em direção ao ventilador. Virei duas esquinas e enxergava entre os prédios o anoitecer se tornar um espetáculo. Pronto, eu era, agora, uma diva pop desfilando no palco, agora, eu era meu alterego. Como sou suscetível, comecei a bater um cabelo imaginário no meio da rua, e meu cérebro, no automático, me levava em direção ao meu objetivo. Quando senti um cutucão, que desmontou todo o meu brilho e glamour, me trazendo de volta a personalidade que vos fala e, então, tirei um dos fones e ouvi:

- Oi! Chegamos juntos – Disse Armani com o sorriso rasgando o rosto que é ornamentado por uma barba castanha. E eu, em resposta, tive um rosto vermelho, mas não foi uma vergonha bonitinha como nos filmes românticos, por favor, não pense isso. Minha pele oleosa dava brilho a vermelhidão ridícula no meu rosto, afinal, ele me pegou desprevenido e imaginativamente montado com meu alterego, a Lady Lovet. Assim, com um sorriso sem graça sugeri que entrássemos.

Depois de horas conversando, temas como cinema, séries e música, sempre sendo chamado de West, Armani, finalmente se lembrou que não sabia o meu nome. Ok! Nesse momento meu mundo parou, não tinha mais como escapar, então, peguei minha carteira estampada de floral e tirei minha identidade. Hesitei por um momento, afinal, talvez, dar a ele o nome do meu alterego Drag fosse melhor, seria mais confortável me chamar Lady Lovet.
Os olhos dele finalmente passaram pelo meu nome escrito no documento, depois, ele sorriu fraternalmente pra mim e disse:

- Quando vou te beijar?
- Quando se sentir confortável...

Subi as escadas do edifício sem reclamar de morar no quinto andar sem elevador. A vizinha do terceiro andar estava se masturbando na escada de novo, enquanto fumava, mas, mesmo assim, eu não me abalei. Coloquei a chave na porta respirando fundo, como um ator respira pra entrar em cena. Pois, quando eu entrasse contaria a Felipa e Fael o quanto eu estava encantado pelo Armani. E sobre como minha noite de Princesa Disney foi fiel às animações... Finalmente abri a porta pronto para surpreender. No entanto, fui surpreendido:

- Oi, migaaaaaaa! - Enquanto o ~A~ se estendia, Fael empurrava em minha direção um garoto lindo, com um certo tom de timidez e óculos de grau que denunciavam sua nerdice charmosa e depois prosseguiu – Esse aqui é meu primo, o Armani! - Acho que chegamos numa etapa da história que você percebeu que me apresentarem pessoas chamadas Armani é tão usual quanto 1 Million falsificado na balada.

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2 comentários:

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