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terça-feira, 7 de julho de 2015

Armani, agora, é o novo preto


Quem já teve um caso com alguém do trabalho sabe do que eu vou falar...

Eu entrei com um copo de café de 500ml, meu rosto estava inchado e meus olhos parecidos com os do Jackie Chan, afinal, eu não havia dormido bem naquela noite. Nessas horas, tenho certeza que se eu deixasse Lady Lovet no comando, de fato, eu me sairia muito melhor com as maquiagens exuberantes que ela usa na minha mente. Mas o que realmente importa é que eu estava chegando com um copo de 500ml e com a cara toda destruída porque fiquei maior parte da noite pensando em qual Armani era o mencionado pela cartomante.

...quem já teve um caso com alguém do trabalho sabe do que eu vou falar, porque sabe como é estar sentado, exercendo seu trabalho de forma automática, enquanto pensa em sexo, louça suja na pia, frango no congelador ou no iogurte que comeu, mas não era seu. E, então, de repente, seu olhar, despretensiosamente, se volta ao longe como quem busca a linha do horizonte, no entanto, se depara com aquela pessoa, com a qual você trocou intimidades, te olhando ao longe no cantinho do café. A minha reação ao ver o Armani, o 434, foi me lembrar que ele sabe da minha pinta peluda. E, exceto pelo desejo de bom-dia, desde que fomos pra cama não conversamos mais. A probabilidade dele ter contado sobre a minha pinta peluda num grupo do Whatsapp intitulado 'Pinta Cabeluda do cara-dos-envelopes' era grande. E, acima de tudo, desde que conheci o Armani, primo do Fael, não tenho mais aquela certeza gostosa dentro de mim de que o Armani, 434, é o grande-amor-da-minha-vida, que o tarot da cartomante excêntrica revelou. Agora, são dois Armanis, se eles não aceitarem uma relação de poliamor, óbvio, que apenas um dos dois será o tal do grande-amor-da-minha-vida. Sem ter a certeza de nada, naturalmente, fiz o que qualquer pessoa, que já ficou com alguém do trabalho, faria: Fui para o canto do café conversar com o Armani.

- O café está ótimo, não é mesmo, Armani – Eu disse isso antes de provar aquela porcaria. Logo, fui obrigado a forçar um sorisso de prazer pelo sabor do café.
- Não! - Respondeu com um sorriso de simpatia de salão, como se estivesse respondendo qualquer outro colega de trabalho. A minha resposta a isso foi olhar pra frente e fingir que observava o quadro falsificado da Cadeira de Van Gogh com cachimbo. Então, Armani se aproximou de mim como quem observava o quadro, também, depois disse entre os dentes num sussurro parecido com os filmes de terror asiático:
- Temos de ser discretos. Preciso te ver, hoje, depois do trabalho. Te espero no café que fica à duas ruas daqui. - Ele tinha razão. Erámos amigos de trabalho, não podíamos alarmar nosso caso assim...

O café estava bem forte. Quando terminei o último gole, um carro parou perto do café e enquanto a janela descia vagarosamente, expunha o rosto do Armani sinalizando para que eu fosse até ele. Deixei a grana na mesa e fui. A noite foi sensacional!
Subi as escadas sem reclamar de novo. Dessa vez a siririqueira fumante do terceiro andar não estava lá. O que era ótimo! Já era madrugada, entrei em passos macios para não acordar Felipa e Fael. Coloquei minhas coisas no sofá da sala e segui para a cozinha. Quando eu terminei de beber um copo d'água me vierei e dei um quase grito. Acontece, que o Armani, primo do Fael, estava de pé na porta do cozinha, parado e me olhando como em filmes com base em Psicose.
Ele colocou o indicador na direção dos lábios sinalizando silêncio. E introduziu uma conversa em sussurros:

- Desculpa! Eu vinha beber água, quando te vi pensei em voltar, mas você se virou muito rápido...
- Mas, porque pensou em voltar? - indaguei por de fato não tê-lo compreendido. E ele prosseguiu gaguejante.
- Ah, acontece que a casa não é minha. E você... você... você... - Eu o interrompi cantarolando em bom sussurro a música da Mulher Melão, como se completasse a frase dele: “Você, Você, Você, Você queeeer?” - Os olhos arregalados por trás dos óculos revelaram a nerdice inerente. E ele respondeu:
- Querer o quê? - Essa frase saiu gaguejante, abafada...
- A mim... - Respondi em tom jocoso completando a piada, que na minha mente parecia inocente devido a felicidade que eu estava por ter um lance com o Armani 434. Mas o Armani nerd se virou assustado e correu para o quarto. Ele me revelou que fui ousado sem querer...

Já estava saindo com Armani-434 há mais de um mês. Armani-nerd não conseguiu uma casa e continuou morando lá. Ele não falava comigo direito, mas sempre o via me observando com olhar contestador. Felipa soube do caso da cozinha. Para Fael preferi não comentar, a promiscuidade existente no código de existência dele me aconselharia a ficar com os dois Armanis.

Haveria uma festa na empresa. Todos levariam acompanhantes. O meu acompanhante já trabalhava na empresa, então, eu subentendi que iríamos juntos. Por isso precisava de uma roupa legal e não queria que fosse da empresa. Chamei Felipa para o shopping, mas ela disse que teria um encontro. Chamei Fael, que teria uma fast-foda. Fael quando negou o pedido estava ao lado do Armani-nerd, assim, complementou a negativa com uma sugestão: - Vá com Armani, ele tem ficado muito tempo sozinho em casa. Eu sei que Armani pensou: “Inferno! Vou ser obrigado a passar por esse constrangimento.”, enquanto eu pensei: “Droga. Odeio essas obrigações sociais”. Mas, sorrimos mutuamente e fomos.

Isso mesmo! Jogamos aquele jogo de dança juntos, depois jogamos um jogo com sabres de luz do Star Wars. Armini-nerd estava muito animado. E acabou me levando para uma loja de miniaturas e camisas com estampas de cultura pop... Depois, fomos ao cinema. E por fim, nos pegamos satisfeitos e felizes, andando pela rua de volta pra casa e falando sobre a ansiedade pela continuidade de Star Wars, enquanto carregávamos copos de café de 500ml da Starbucks. E envoltos naquela atmosfera de excitação e prazer pela cia um do outro, nos pegamos em frente ao prédio. Armani-nerd olhou para a porta do prédio e fez uma expressão de prostração, prosseguiu dizendo:

- Já chegamos. - Sim! Tinhamos chegado... e eu iria me arrumar pra festa na empresa, com o Armani 434. E a sensação para com o Armani-nerd era a de encontrar alguém perfeito, mas que você esqueceu de trocar contato... Eu sorri pra ele e entramos. Subimos as escadas em silêncio e no apartamento já entrei me arrumando para a festa.

Uma decoração fina, com margaridas, tecidos brancos e jarros de vidros. Tocava uma música calma, pessoas conversavam baixo. Avistei Armani-434 de longe, ainda de pé, parecia me esperar pra que a gente escolhesse a mesa junto. Então, fui a sua direção. E ao chegar entre as pessoas que estavam com ele, Armani empurrou amavelmente um coroa com tipão de rico e muito bem-apessoado em minha direção, enquanto dizia: - Boa noite! Esse é José, meu marido, sobre quem já te falei...


Na área externa, eu já estava com celular na orelha, quando Armani-nerd atendeu eu disse: - Vem pra festa! Te busco na portaria, me liga quando chegar!

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