Atenção

Os conteúdos textuais desse blog são protegidos pela lei Nº9610, de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Cap. 04: Obrigado pela peça.

A minha vida só precisa de uma plateia tendo reações pra se tornar um sitcom, ou uma peça cômica ou mais divertida, como preferirem!

Ato Um:

Na manhã seguinte à festa, Armani-434 entrou pela porta da empresa ajeitando o cabelo, tal como os príncipes Disney fazem. Depois, passou por mim - enquanto eu lambia um envelope para colocar no monte que iria postar mais tarde – Armani sorriu para mim, eu fingi não vê-lo, como se eu olhasse através dele e olhasse algo mais interessante ao fundo do corredor (era a porta do banheiro masculino).
Alguns segundos depois, enquanto eu xingava Armani mentalmente, ele surgiu no balcão num surto só dizendo bom-dia. Eu levei um susto, dando pinta, claro! Em seguida ele prosseguiu dizendo:
- Que há? Tá estranho comigo... - “Que há?” foi até aceitável, embora esse questionamento, de acordo com os últimos acontecimentos entre mim e ele, seja irrelevante em sentido semântico real, sabemos que o uso reverbera um sentido mais amplo, no caso, só pra quebrar o gelo. Mas, “Tá estranho comigo...” foi de mais pra mim. Então respondi:
- Tá de sacanagem?
- Oi?
- Cê tava saindo comigo e, de repente, numa festa me apresenta um cara como se eu sempre soubesse dele, como se eu fosse seu amante fixo e tudo fosse devidamente programado.
- Mas você sabia dele... - A minha cara, foi de nada!

Ato dois:

Ainda na festa da empresa, eu estava desolado na área externa do prédio, olhando o desenho que os prédios faziam em união com o céu estrelado que tinha aquela noite. Armani-nerd disse que precisava desligar e que já me ligaria. Antes de me manter inerte em pensamentos reflexivos com os olhos vidrados na noite que fazia, eu liguei para Felipa, ela disse que Armani-nerd estava num encontro com um rapaz que ela apresentou a ele. Obviamente, que minha reflexão era: Troquei o cara que tinha uma química enorme comigo, por um cara que tem uma química enorme com o marido dele.

Um rapaz de beleza comum estava no outro canto do parapeito olhando os mesmo prédios que eu. Tentei desviar a minha reflexão para a reflexão dele: O olhar perdido que buscava por socorro, os dedos que brincavam tímidos na taça de martini, a imobilidade quase constrangedora do restante do seu corpo... ele parecia pior do que eu. Antes que eu pudesse continuar me compadecendo dele, o meu celular tocou e na tela estava escrito: Armani-nerd. Atendi. Na fala um tom de melancolia dizia:
- Poxa! Não vai rolar...

Ato três:

Armani-434 me disse:
- Precisamos ser discretos. Me siga até a minha sala, depois de alguns segundos, não há ninguém lá, hoje!

Entrei em sua sala e ele estava encostado em sua mesa. Olhou para mim como quem sente culpa. Não me encostou e então começou a falar:
- Quando passei meu telefone pra você, no dia em que o conheci na festa da empresa, José foi quem me chamou. Eu fui embora com ele. Pensei que soubesse!
- Não! Eu não sabia. Além do mais, que tipo de marido deixa o outro falar tão intimamente com um rapaz sozinho em uma festa e que bebe em excesso no seu canto?
- Um marido que vive um casamento aberto... - Eu não me choquei com o casamento aberto. Eu me choquei comigo mesmo, de não ter percebido tudo. Então olhei com os olhos trêmulos para ele, sem entender nada. Depois olhei para o chão buscando uma resposta: Se o nome do meu grande amor vai ser Armani. E se for o Armani-434 eu viverei uma grande história de poliamor?!
Enquanto eu me perdia nesse pensamento, Armani se aproximava, quando eu estava no limbo do meu cérebro, senti sua mão tocar meu rosto e direcionar-me para sua boca. Não teve escapatória, nos beijamos a luz do sol matinal que cortava os vidros daquela janela. O Paco Rabanne de Armani me tomava naquele beijo que fugia do meu controle.

Ato quatro:

Após ouvir ao telefone que Armani-nerd não iria à festa, eu me lembrei de uma estrofe de Florbela Espanca: “Toma a brandura plácida de um lago/ Meu rosto de monja de marfim” - Eu estava com cara de nada na área externa do prédio, quando, de repente, ouvi alguém dizer:
- Tá tudo ok?
- Ah, tô pensando em pular, mas, tá ok! - Ele riu.
- Pensei nisso, também. Mas quando te vi de longe, pensei que talvez não fosse uma boa ideia, já que parece estar pior do que eu... - Uau! O cara triste do martini estava me achando pior do que ele. Me lembrei de Vanilla Sky: “Deve ser a garota mais triste do mundo que já segurou um martini.”
Ele tinha ido com uma amiga à festa, ela encontrou com um dos caras do trabalho que ela pegava e foram para o banheiro. Ele só estava admirando a noite. A cara dele era triste mesmo. Mantivemos um longa conversa, eu não contei a minha história triste com o 434. Fingi que estava lá fora por conta da gente chata do trabalho. Assim, engatamos na conversa sobre filmes, pois eu citei Vanilla Sky a ele...

Ato cinco:

O cara triste do Martini e eu tivemos uma conversa agradável por um bom tempo, assim, decidimos sair da festa. O elevador se abriu revelando a porta principal do edifício. Eu continuava falando com ele sobre não ter entendido nada em O Cão Andaluz, mas avistei um homem de costas, que não me era estranho, parecia o Fael. Assim, mantivemos o passo em direção a saída e quando pisei no primeiro degrau, para começar a descer as escadas, o homem que parecia o Fael, estava a dois degraus abaixo, se virou ao celular e, então, meu celular vibrou no bolso, o homem que parecia o Fael, era o Armani-nerd.
Ele desfez a ligação guardando o celular no bolso, gaguejou dizendo que tinha ido a festa pra me encontrar...

Ato seis, o último Ato:

Depois do constrangimento na porta do edifício, Armani-nerd cortou meu coração voltando pra casa sozinho. Eu tentei esboçar um pedido de desculpas, mas não consegui. Pensei apenas no encontro que ele desfez por mim.
Sentei no carona do cara do martini triste, a conversa não estava mais tão animada. Entrei na casa do cara do martini triste, o tesão já não estava mais como na sacada. Me deitei na cama do cara com o martini triste, enquanto nos beijávamos e ele deitava sobre mim. Ele não se chamava Armani! Eu sequer sabia o seu nome. Eu estava triste porque Armani-434 mentiu pra mim. Estava triste porque vi Armani-nerd partir sem mim. Então sussurrei no ouvido do cara do martini triste:

- O que estamos fazendo? Nem sei o seu nome!

- É Armani, qual é o seu?!

Continue lendo AQUI

Um comentário:

Oi, Perdido no Espaço!
Sua opinião é sempre importante. Aguardo!