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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Armani, agora, é o novo preto.

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Cap. 07: Obrigado pela herpes.



A vida é brutal com quem nasce romântico – Antes de prosseguir, me refiro ao romantismo no seu valor semântico mais apropriado: Idealismo, no caso!
Por que a vida é bruta, miga?! - você deve se perguntar. Eu respondo sem rodeios: Eu nunca pensei em focar na busca de um amor, mas sempre fui sonhador, sempre sonhei com uma bela carreira, sempre sonhei com um casamento tranquilo, com um relacionamento estável e cães de grande porte, mas não com um grande amor. Até o dia em que cruzei o meu caminho com a cartomante, a que me revelou que meu grande amor se chamaria Armani. Pois desde lá, já conheci quatro Armanis. E, mesmo assim, o vazio continua.
O celular anunciou a chegada de uma nova mensagem, era Armani-tatuado. O cara do terraço. - Espera! Acho melhor eu organizar isso.
Tudo começou depois que Armani-tatuado me contou todas as verdades. O Armani-434 e o Armani-do-Martini omitiam suas imagens de promiscuidade para conquistar pessoas que supunham não-promíscuas. Além disso, Armani-tatuado resumiu a história dizendo que viveu um poliamor durante meses e só descobriu ao fim, ele reforçou que o motivo da sua magoa não foi a vivência de um poliamor, mas a deturpação de poliamor existente na mente dos outros dois. Afinal, omitiam isso. Armani-tatuado precisava ir embora, mas queria terminar de me detalhar a traição que sofrera, por isso me pediu, amigavelmente, o meu número. Conversamos durante dias sobre A Vida, o Universo e Tudo mais. Em meio a essas conversas, eu estava afundado em séries de televisão, comidas e cobertores. Pra mim, a ideia de conseguir um amor se tornou ilusória. A reflexão que tive foi a de que todas as tentativas frustradas não me causaram dores pela perda, mas cada um desses três Armanis me arrancaram um pedaço e levaram com eles.
Então, podemos voltar de onde parei: O celular anunciou a chegada de uma nova mensagem, era Armani-tatuado. Já tinha alguns dias que não conversávamos, a mensagem dizia seca e diretamente: Café?
Eu respondi sem pensar: Onde?
E recebi: Olho de vidro do ciclope.
Lá estava eu no shopping com Armani-nerd. Peguei o costume de ter a companhia dele sempre. Já que com ele acabava sempre no play do shopping e vendo filmes no cinema, ou brincando com os brinquedos de 'degustação' das lojas de brinquedos. Compramos umas peças de roupas pra mim. Fomos ao cinema e finalmente paramos na praça de alimentação.
- Estou feliz que de alguma forma alguém mais maduro esta interessado em mim. - Eu disse.
- Sim. Você sempre esteve a busca do seu Armani, mas nunca o encontra. Não sei se gosto de te ver frustrado. - Respondeu Armani-nerd. E antes que eu dissesse qualquer coisa, ele se assustou. Colocou uma das mãos na boca, arregalou os olhos e com um misto de meio sorriso apontou para mim dizendo:
- Que isso na sua boca! - Eu com o dente senti. PUTA QUE PARIU! Minha herpes. Isso mesmo! H-E-R-P-E-S. Mesmo que seja algo que tenho desde criança, não me tira o constrangimento em explicar isso aos homens com quem me envolvo. Uma vida resumida em: Não me olha assim!
Falei com Armani-nerd que ia ao banheiro e quando lá cheguei, ainda não tinha ferida , nem nada. Assim, decidi manter o encontro com Armani-tatuado, afinal, não o beijaria, era um encontro pra um bom papo.
No dia seguinte, acordei rápido, me arrumei acelerado e sai de casa correndo. Enquanto estava sentado envelopando coisas no trabalho, pensava como seria depois do expediente encontrar Armani-tatuado. Quando decidi ir ao cantinho do café. Lá, enquanto mais uma vez ficava admirando a reprodução da Cadeira de Van Gogh, senti alguém chegando mais perto, quando me virei:
- Nossa! Que porra esquisita é essa na sua boca – Disse Armani 434.
Quando cheguei em casa para o almoço, me deparei com Felipa, ela sorriu pra mim e em seguida:
- Nossa! Que porra esquisita e essa na sua boca!
Corri para o banheiro e me deparei com meu reflexo no espelho e gritei:
- Nossa! Que porra esquisita é essa na minha boca!
Corri ao celular e:
Eu: Estou passando mal. Algum problema em cancelar o café?
Armani-tatuado: É chato, né? Mas, se você puder marcar e a gente ficar conversando online, pra mim seria ótimo.
Eu: É algo importante?
Armani-tatuado: Depende da perspectiva.


Acontece, que há males que vem pra bem. A crise de herpes não é legal. Ainda me causa constrangimento ter de explicar pras pessoas que isso não foi adquirido sexualmente, mesmo que não acredito que seja vergonhoso caso fosse assim, também. Mas, nesse dia, ela foi importante. Armani-tatuado queria a minha companhia, queria me conhecer melhor. Queria saber quem sou e como sou. Queria realmente demonstrar interesse em mim. Naquela noite, eu diante um papo tão confortável. Mencionei: Sabe um segredo? Na verdade tive vergonha de sair contigo por ter herpes.

Armani-tatuado respondeu: Ainda dá tempo d'eu te buscar pra gente jantar.

Quem passava pela calçado do Olho de Vidro do Cilope, nos via numa conversa eufórica e incessante. Sentados contra a luz amarelada do restaurante. Ostentávamos sorrisos que brilhavam. Não sei dizer ainda. Mas acho que é esse o Armani do tarot...

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