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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Cap. 09: Obrigado pelo chopp

Era quarta-feira, muita coisa ainda ia acontecer, mesmo que no dia seguinte todos tivessem de trabalhar. Num bar da esquina do prédio, o qual nem nome tinha, estávamos tentando esquecer nossos problemas. Ah, sim! Se eu não disser quem 'estávamos', ninguém vai adivinhar. Cagando para as técnicas coesivas: Estávamos eu, Felipa, Armani-nerd, Fael, Ricardo e, óbvio, Lady Lovet. Importante ressaltar que Armani-nerd sempre estava trocando de namorado, infelizmente, ele confiava demais nos homens que o abordava, começava rápido demais algo que iria degringolar e, por fim, acabava o que mal começara.
Em meio toda aquela loucura, em certa etapa da noite, Felipa arrumou seu cabelo chanel com o dedo indicador e depois disse que achava possível ela virar todo seu caneco de 600ml de chopp antes de todo mundo. Fael riu, chorou de rir e limpou o rosto molhado pela gargalhada, dizendo que Felipa mal conseguia virar uma tequila pela metade. Assim, Armani-Nerd se gabou de sempre fazer isso na adolescência, Ricardo zombou dos três dizendo que eram imbecis de sugerir isso enquanto ele estava na mesa. E eu, claro, comentei:
- Vamos virar o que temos no copo e pedir mais uma rodada. O desafio está lançado.
- Que comecem os jogos – Concluiu, como não poderia deixar de ser, Armani-Nerd.

Embora todos, ali, estivessem rindo. Embora todos ostentassem uma falsa felicidade. As coisas não iam bem pra ninguém. Naquela mesa de um boteco sem nome, cinco pessoas estavam destruídas, cinco pessoas estavam desmotivadas e cinco pessoas arrumaram um pretexto para tentar se envaidecer. Assim, todos nós merecíamos ganhar a disputa de vira-vira para que as dores na alma fossem massageadas por uma posição hierárquica social, que fora criada naquele instante.



RICARDO:
O bar era na esquina próxima ao apartamento em que morávamos eu, Felipa e Armani-Nerd. Felipa, mandou mensagem dizendo que ficaria direto, lá em baixo, nos esperando. Enquanto eu preferi passar no apartamento para me arrumar. Armani-Nerd estava lá.
Sentei no sofá ao lado de Armani-Nerd, ele vestia uma samba-canção do Homem-de-Ferro, estava sem camisa e jogava no Nintendo velho que mantínhamos na sala. Eu sentei ao seu lado esboçando puxar um papo. Mas, algo estava diferente nele, os óculos um pouco tortos, os olhos brilhando e um meio sorriso no rosto... os mamilos rosados, a pele em tom uniforme e as coxas jogadas sobre o sofá... naquele instante me perdi olhando pra ele. Foi quando Armani-Nerd me olhou curioso, eu, absorto em meus pensamentos luxuriosos, retribuí o olhar. Quando num surto a porta se abriu e Ricardo ficou nos olhando. Naturalmente, a cena, talvez, nem fosse tão comprometedora, mas nós ficamos constrangidos. E Ricardo, em silêncio passou para a cozinha. Armani-Nerd o seguiu e eu fui me arrumar.


FELIPA:
Felipa foi a primeira a chegar no bar, como eu já disse, ela havia avisado. Depois de ter deixado a cena constrangedora envolvendo Armani-Nerd e Ricardo, eu decidi ir para o bar. Porém, pouco antes disso algo chato me aconteceu. Assim, cheguei ao bar um pouco perplexo, não consigo dizer se o que eu sentia era tristeza, mas um nó no meio do meu peito eu tenho certeza que tinha. Acredito que o fluxo de energia se estabilizou ali. Sentei ao lado de Felipa, enquanto pedia um copo para o garçom. Ela estava no celular, quando olhou para o meu rosto perguntou:
- Tudo bem? - Senti carinho vindo de sua voz, enquanto repousava o celular sobre o colo. Tentei dizer algo, mas não consegui. Assim, por pelo menos três minutos incessantes Felipa se pôs a falar do que conhecia sobre minha personalidade. Ela rasgou elogios pelo meu idealismo e sustentou torcer por mim, pois me achava um cara bom demais para estar sozinho.
Depois desse longo discurso motivador, que não desatou os nós no meu peito, mas que ao menos me fez enxergar a vida com uma perspectiva mais otimista, Felipa olhou novamente ao celular. Pousou a mão sobre a boca e então disse: Lembra do Matheus? Eu estava tentando acertar as coisas com ele, depois de um ano sem vê-lo, mas acabei me perdendo no assunto contigo e o deixei aqui. Ele disse que não merece ser ignorado numa conversa tão importante, mandou beijos e não está mais online.

FAEL:
Depois de alguns meses sem Fael dar pinta com a gente, ele finalmente marcou um encontro com Armani-Nerd, seu primo, para contar algo e pedir para que isso fosse repassado para mim e Felipa. Eles se encontraram na manhã daquela quarta-feira.
Acontece, que o coroa que Fael havia, praticamente, se casado. Foi tratado durante meses como um rei. Fael já não saia mais conosco, já não ia mais as baladas, não fazia suas compras. Fael se tornou aquilo que ele sempre zombou. E depois de toda essa devoção a descoberta foi de atravessar o peito: O coroa esteve o traindo na última semana. E por isso, Fael merecia a patente mais alta daquela hierarquia de bar.

ARMANI-NERD
No horário de almoço, fui até em casa. Armani-Nerd estava lá. Assim que me viu sorriu e disse que já tinha contado algo pra Felipa, concluindo que faltava contar algo a mim. Então, ele contou o que houve com Fael e depois usou isso como a justificativa para o encontro no bar, o qual estávamos disputando o vira-vira, que era para que Fael se sentisse um pouco melhor.
Após contar, Armani-Nerd esboçou dizer algo mais, hesitou e finalmente disse:
- Tem algo de errado comigo. - Mexeu nos óculos com charme.
- O quê? - Perguntei inocente.
- Não quero continuar com Ricardo. - Pausou, respirou fundo e inclinou sua cabeça em minha direção. Eu sucumbia ao beijo sem me dar conta. Até que senti a respiração ofegante muito próxima e me afastei. Um silêncio sepulcral e então eu disse:
- Só tenho pensado no Armani-Tatuado... Me desculpe! - Saí andando com pressa.

EU:
Após a conversa com Armani-Nerd, mandei uma mensagem ao Armani-Tatuado dizendo que eu o queria ver. Porém, só obtive a resposta ao fim da tarde. Depois que Ricardo nos surpreendeu no apartamento. Assim, desci triste para conversar com Felipa, que perdeu a chance de se reconciliar com um ex-namorado que tanto ama.
A resposta de Armani-Tatuado era subjetiva. Ele dizia: Muita coisa não importa mais...

Eu estava tão triste que virei num gole só. Bati o caneco com força sobre a mesa e me levantei comemorando, gritei tão alto que todas as pessoas do bar me olharam, diante toda essa extravagância, eu tentei girar, no primeiro giro, ao me virar em direção à outra calçada me deparei com Armani-Tatuado carregando um sorriso sutil.

Atravessei a rua e tudo começou com uma torca de “oi”.

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