Atenção

Os conteúdos textuais desse blog são protegidos pela lei Nº9610, de 19 de Fevereiro de 1998.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Armani, agora, é o novo preto

Capítulos Anteriores
Cap. 11: Obrigado, cartomante...

Perdi o Fael e, no mesmo dia, comecei a perder Armani-Tatuado. Aquele abismo imaginário se criou entre mim e ele. Tentei deixar que Lady Lovet assumisse a vida para me fazer passar despercebido e maquiado de tudo isso. Mas, foi inevitável. O primeiro dia deitei de bruços no sofá do apartamento e lá fiquei. No segundo dia eu ainda estava no sofá do apartamento deitado de bruços. No terceiro dia virei a cabeça da direita pra esquerda. No quarto dia pensei em pular da janela, mas achei dramático demais. No quinto dia joguei o Nintendo antigo o dia todo. No sexto dia assisti Nothing Hills, De repente é Amor, Ps. Eu te amo e O Diário de Bridget Jones, é claro. Finalmente, no sétimo dia consegui sair à luz do sol, eu estava sentado na janela soprando uma bolinha de papel pro alto, tentando não deixá-la cair, até que ela caiu na rua. Por algum motivo, talvez somatização de estresse, eu acreditei que devia buscar a bolinha. Desci as escadas trajando uma samba-canção do homem de ferro que tinha molho de tomate, minha barba estava por fazer, uma mancha de café na camiseta branca e os olhos fundos com olheiras que iam à bochecha... peguei a bolinha de papel, enquanto pensava: Pra quê?! - Quando comecei a me levantar percebi alguém parado perto de mim. O rosto foi se aproximando como nos filmes e – BOOM – Era o Armani - Tatuado, que disse:
- Tá tudo bem, contigo?
- Claro que está – menti, descaradamente, enquanto tirava um biscoito do cabelo e o arrumava.
- Eu vim pra ter uma conversa contigo.
- Mas comigo assim? - Indaguei indignado.
- Mas você não disse que está bem? - Respondeu com uma pergunta irônica. E prosseguiu – Amanhã, às quatro, no café da esquina do seu prédio.

Subi as escadas correndo e fiz o que sempre faço quando estou em situações assim, chamei Armani-Nerd para o shopping. Fizemos de tudo, como sempre fazemos. Mas, algo foi inevitável, tocar no assunto do nosso beijo. Afinal, naquela noite seria a missa de sétimo dia de Fael, assim, quando sentamos na praça de alimentação com sucos elaborados e calóricos, logo Armani-Nerd comentou sobre o horário da Missa. E emendou perguntando como estava a minha recuperação com Armani-Tatuado. Desviei o olhar dele e disse:
- Estranha essa conversa.
- Mas necessária! - Ele ajeitou os óculos com charme – Acontece, que já deixei Ricardo e estou com o Flávio, mas você sabe que sempre que ficamos sozinhos algo acontece. Precisamos ter essa conversa, por mais constrangedora que seja.

Olhei fixamente para os olhos inocentes e nerds dele. Olhei a minha volta, me levantei num surto pegando minhas bolsas e sai dali imediatamente.

Eu não sei o que aconteceu. O que sinto pelo Armani-Nerd é algo pueril, um amor fraternal, mal consigo entender o beijo francês que demos. Ele não pode representar algo sexual pra mim. Não é concebível, ou aceito. Assim, invés de ir pra casa, comprei cervejas e fui para um mirante, lá sentei, olhei a cidade funcionando. Ao longe eu ouvia bem harmoniosamente o ruido daquela região metropolitana. Dali, com um pouco de álcool na cabeça, pude perceber: Armani-Nerd estava funcionando como uma fuga de Armani-Tatuado. Eu não gostava mesmo do tatuado, mas queria uma desculpa para o fim. Então, tomei a decisão mais alarmante da minha vida - Sim! Porque tatuar a cara do Jake de Hora de Aventura usando a minha pinta cabeluda nas costas, ainda estava no plano das ideias - Fiz o que jamais faria no início de tudo isso!
No dia seguinte, evitei cruzar com Armani-Nerd nas áreas comuns do apartamento, desci para me encontrar com Armani-Tatuado. Entrei no café, arrumei o cabelo, fui em direção a sua mesa, sentei com firmeza, o olhei com precisão e atirei sem pensar:
- Não podemos mesmo continuar! Definitivamente, descobri que não gosto de você. - Armani-tatuado repousou a mão sobre algo que estava na mesa e puxou em sua direção. Então perguntei o que era. Assustado ele acabou batendo a caixinha de um lado par ao outro e a deixou cair, as alianças rolaram uma para cada lado, figurando o momento em que vivíamos. Meus olhos encheram d'água, assassinei um coração sensível, auto-boicote? Sou piranha? Não pude me questionar muito, me levantei e sai sem me despedir. Na mesma pilha, subi os cinco patamares do prédio e, logo, estava abrindo a porta do quarto de Armani-Nerd. Ele estava se masturbando na hora, com o susto, olhou em minha direção e ouviu de minha boca:
- Nunca daremos certo, não quero estragar a amizade linda que temos, mas te amo fraternalmente. - Bati a porta do quarto e fui em direção a cozinha. Passei um café. Servi uma caneca. Parei em frente a Janela. E não entendi nada...

Já havia passado a Missa de sétimo dia do Fael, Armani-Tatuado tinha me deletado do Facebook, mas soube pelo instagram que ele foi viajar pela Europa. Armani-Nerd continuava com o Flávio (Aliás, eles não combinavam em nada, Flávio, era jogador de futebol no time da cidade, lia Jhon Green e Paulo Coelho, assistia Ana Maria Braga e Fátima Bernardes na acadêmia. E, o mais importante, tinha como atividade extra, filmar embaixadinhas e postar no seu canal do Youtube que contava com 3 inscritos.). Felipa, ainda, sem o grande amor da sua vida, prosseguia ficando com rapazes sem qualquer compromisso. Assim, me chamou pra uma volta no parque. As árvores eliminavam algumas folhas secas. Tinha um sol que não incomodava, um céu bacana... Felipa dizia:
- Bom, pelo menos, agora você não tem envolvimento com nenhum Armani. Agora, seu coração pode ficar leve. - Mas o que Felipa não sabia, era que ficar tanto tempo sem ter alguém pra gostar, depois do vício de gostar de alguém, é uma morte lenta... Então, respirei fundo e tomei coragem de me abrir com ela:
- Mas, sabe, Felipa? Eu queria ter...
- Você gosta de sofrer um pouco, né? - Ela se virou e deu de cara com o seu ex-namorado, aquele que é a paixão da vida dela. Ela respirou fundo e fez o que sempre faz. Foi fina. Deu um abraço apertado nele. Em seguida, ele disse a Felipa:
- Esse é meu irmão, você não o conhecia. Ele fez 18 anos, foi dispensado do serviço militar, veio morar comigo pra fazer faculdade...
Felipa abraçou o rapaz dizendo que era um prazer conhecê-lo, depois, enquanto eles terminavam o abraço, o rapaz me estendeu sua mão, enquanto dizia:
- É um prazer conhecê-los, meu nome é Armani. E o de vocês?!
É! As coisas começam sempre com apresentações, sempre começam demonstrando cabimentos. Mas, eu não vejo cabimento nesta história que contarei. Afinal, eu mesmo não consigo acreditar. Vivo me perguntando - a cada vez que me ocorre os fatos que serão descritos - se tudo é realmente verdade ou se eu sou um esquizofrênico, o qual se apegou à sinopse de "O Teorema de Katerine" do John Green. Além de tudo, não dá pra confiar numa história que começa em frente a uma bola de cristal, com cartas de tarot e uma moça excêntrica dizendo que o nome do meu grande amor será Armani...

FINAL DA SESSÃO.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Oi, Perdido no Espaço!
Sua opinião é sempre importante. Aguardo!