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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O gamer

Não é sobre o cara do dia dos namorados. Não vou falar do grande amor da minha vida, das viagens compartilhadas ao seu lado. Não tem vidros embaçados numa madrugada longa, não tem filmes repetidos numa madrugada fria. Não é sobre delicadeza e doçura. Não vou falar da diversão que foi andar lado a lado, abraçar apertado por horas pela manhã, esse texto não vai citar o mal hálito matinal que nunca atrapalhou, porque com ele não há nada disso. O cara desse texto não é o mesmo em que falo das borboletas no estomago. Também, não é o cara que senti falta na mesa do jantar.
Estou aqui pra falar dele. Mas ele não é o cara que tinha outro cara. Não é sobre aquele que chegou atrasado e marquei pra em outra vida a gente se encontrar. Não é fruto de uma ficção de um filme pouco divulgado, nem de um livro nerd que eu li no passado. Ele não é nada disso. Pra falar a verdade, ele também não é aquele mentiu e eu fingi acreditar, não é o que me tocava como a luz do sol, porque na verdade não conseguia me atingir. Ele não é nada disso. Ele não é um cara com quem de fato eu estive. E quando olho pra memória como se ela fosse um slide em preto e branco, percebo o filme queimado e não consigo lembrar de nenhum instante: Parece até que a gente nunca se viu antes, não tenho uma história engraçado pra contar, não sei qual sua ideia sobre as inscrições "Jesus Salva" na altar. Eu nunca perguntei nem o seu último nome, não faço ideia de como ele pega os talheres enquanto come, se passa o sabonete de cima pra baixo, se joga a toalha na cama do quarto, se quando vê série grita alto, eu nunca vi um cílio colado na sua bochecha, nunca falamos sobre cães e gatos, nem compartilhamos um mesmo copo de cerveja...
Definitivamente, ele não é nada palpável, e, normalmente, nem se tornaria um texto. Mas é que o perdi em minha cabeça, prendi numa parte e não sei mais onde está, então aceno nos sonhos pra que me veja onde quer que eu esteja. Enquanto ele passa como garçom apressado por trás da cadeira. Ele é o cara que poderia ser um texto inteiro, um livro completo, mas insiste em me fazer escrever sobre séries e os outros e prosseguir sem entender nada.

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