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domingo, 10 de abril de 2016

Circulei as formigas



Esmagado contra a parede, só as asinhas com um tom leve de cinza, no entanto, transparentes, é que se faziam visíveis, ali, naquele círculo enorme de formigas, que queriam comer o falecido mosquito. Sem pensar, sem questionar, sem sequer entender o motivo, eu fiz um grande círculo de detergente em torno do círculo de formigas, assim, como é de se esperar, por um bom tempo elas não conseguiram sair, rodavam apressasdas entorno do círculo buscando o seu caminho, procurando o rastro que as outras antes deixaram.
Eu  fiquei inerte e impactado com aquela cena. Olhei para aquilo, como quem olha um quadro no museu, observei as ações daquele grupo de formigas, como quem assiste um filme do Tarantino. E nisso, ouvi a voz interior dizer: "será que é assim?" - Acontece, que não foi a minha intenção mata-las, eu só queria vê-las vencendo as barreiras, como venceram, inclusive. Pois logo criaram um novo rastro e escaparam dali. Ou seja, fiz o círculo porque eu sabia da força que elas tinham. Aí, eu me senti mal por ter interferido na vida delas só para testá-las. E foi quando um pensamento assustador me tomou...
Foi inevitável acreditar que, talvez, o universo circule nossas vidas com detergente, de vez em quando, porque essa força maior sabe das nossas capacidades de resiliência.

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